Alumni Spotlight: Eduarda Zoghbi

Atualizado: 26 de jan.

Uma entrevista com a ex-aluna Eduarda Zoghbi

Em que ano você se formou na Escola das Nações?

Durante quantos anos estudou aqui?


Eu estudei na Escola das Nações entre 2002 e 2009. Eu entrei no 2º Ano e saí na 1ª Série do Ensino Médio, porque fui fazer intercâmbio na Dinamarca. Quando voltei, cometi o que, para mim, foi um dos maiores erros da vida: ter voltado para fazer meu último ano do Ensino Médio no Maristão ao invés da Escola das Nações. Ah, me arrependo profundamente disso, mas enfim! Não me formei na Escola. Mas passei a maior parte da minha vida lá. Então eu tenho muito carinho e recomendo para várias pessoas, inclusive minha irmã está lá hoje.


Conte-nos um pouco de sua trajetória acadêmica e profissional.

E como é sua rotina hoje.


Eu fiz UnB em Ciência Política, entre 2012 e 2016, e hoje faço mestrado em Administração Pública (MPA) em Energia, na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Em relação à experiência profissional, durante o período de faculdade, estagiei na Embaixada do Reino Unido, na equipe de mudança climática e energia, onde começou meu interesse por questões energéticas. Depois de formada, trabalhei um tempo com consultoria política na Prospectiva. Depois, fui para o Banco Interamericano de Desenvolvimento, onde fiquei quase três anos trabalhando com projetos de clima junto ao governo brasileiro. Fazia uma ponte entre as prioridades do governo em diversos temas - de agricultura, energia, finanças verdes, florestas - e fundos internacionais de clima. Depois, eu saí do banco para poder fazer meu mestrado. Fiz o primeiro ano do mestrado, mas, por conta da Covid, tirei um ano inteiro de licença para evitar o aprendizado on-line e ganhar experiência de trabalho no setor de energia. Acabei trabalhando numa organização internacional vinculada à ONU, chamada Sustainable Energy for All, que atua com o acesso global à eletricidade. Então, trabalho muito com a intersecção entre clima, gênero e energia. Hoje, estou liderando a expansão de um programa chamado “Women in Energy”, da Columbia para o Brasil. Estou animada para me formar em maio de 2022!


Recentemente, vimos seu engajamento na pauta climática.

O que essa pauta significa para você?

Como surgiu esse interesse pela questão ambiental?


Foi na Escola. Eu tive uma professora no 4º Ano, a Ana, que me falou para eu assistir ao documentário do Al Gore, chamado “Uma Verdade Inconveniente”. Ela me deu inclusive um CD! Eu lembro que assisti no avião, no meu computador. Fiquei em choque com o fato de a questão climática não ser abordada na mídia, nas escolas ou dentro de casa. Desde os 12 anos, tenho interesse. Nessa época, fui, pela Escola, ao Plenário do Senado para participar da formulação da Agenda 21. É muito interessante, porque realmente a minha trajetória nessa área de clima começou muito em razão da Escola das Nações.


Hoje, o mundo direciona os olhares aos líderes e representantes governamentais na COP 26.

Na sua perspectiva de jovem engajada, o que está em jogo nesse evento?

Por que essa Conferência é tão importante?


Todo mundo está de olho nessa COP. Tem todo um histórico, mas o que se espera dela é que, desde o Acordo de Paris, assinado em 2015, ainda não existe um livro de regras - uma das principais questões debatidas nesta COP. Os países querem entender como serão aplicadas as demandas e como será o financiamento para os países que precisam de recursos. Uma consequência positiva dessa COP é que estão saindo vários miniacordos. Eles não necessariamente são livros de regra, mas terão um impacto grande. Tratam, por exemplo, do fim do investimento em carvão e da redução das emissões gasosas até 2050. Por isso, são de suma importância.

Quais são os três pontos na agenda do evento deste ano para se prestar atenção nos debates?


Os três pontos da agenda para mim são o livro de regras que comentei, a questão de financiamento e a questão de adaptação, porque o foco grande no mundo todo é mitigação, que seria a redução efetiva dos gases de efeito estufa. Então, por exemplo, a transição energética não diz muito a respeito da emissão, então vai se reduzir a quantidade líquida de emissões nesse setor. Adaptação já quer dizer muito mais de resiliência, de povos e de cidades, porque se sabe que o aquecimento global já acontece e está impactando o nível do mar, por exemplo. As projeções são catastróficas, e esses lugares têm que se adaptar. Então, como uma ilha que agora já não consegue mais produzir alimento vai sobreviver? É preciso pensar em recursos para que todos se adaptem a essas mudanças.


Quais as principais lembranças da época em que estudava na Escola das Nações?


Toda vez que eu vou à Escola, eu choro. Eu tenho um amor muito grande pela Escola das Nações, porque eu acho que me moldou muito como líder. Participei do time de futebol, fui capitã do de vôlei e até viajei pro NR para competir. Fui representante de turma do 5º ao 8º Ano, gostava de organizar eventos e mobilizar as pessoas, além de gostar muito das aulas. Participei do musical de 2008, “We Will Rock You”, em que fui a principal figura. Sempre gostei do sentimento de liderança e da proatividade. Escrevia cartazes contra o uso de plástico e pregava pela Escola, reclamava que o lixo não estava sendo reciclado… Também fiz parte das simulações da ONU da Escola. Era escolhida para falar em eventos e viajava. Enfim, só lembranças boas!


Acha que o ensino que teve na Escola das Nações contribuiu para sua vida tanto pessoal quanto profissional?


Com certeza o ensino da Escola contribuiu para a minha vida. Uma coisa que eu ouvia muito era que era muito difícil passar no vestibular, porque o ensino é muito focado na educação um pouco mais americanizada - eu acho que isso é a maior bobagem do mundo. No mundo hoje globalizado como é, é necessária a consciência do lema da Escola, de cidadãos do mundo. Hoje eu vejo que, por exemplo, li os mesmos livros de literatura que meu namorado, que é estadunidense. Ontem tive a oportunidade de conhecer o Obama; então estou sempre em contato com pessoas de outros países. Eu acho que ter tido essa exposição tão nova foi importante para minha formação individual. Sempre achei que a Escola promovia um espaço seguro para conversa. Então eu acho que eu devo muito isso à Escola, e também à educação dos meus pais, que sempre foram muito abertos, muito liberais, me colocaram muito para o mundo e queriam que eu estudasse lá justamente por isso. A própria situação da professora que me inspirou a respeito da mudança climática demonstra como a Escola não apenas ensina, mas forma pessoas, líderes. Eu vejo que contribuiu muito para a pessoa que eu sou hoje e tem um reflexo direto em todas as minhas conquistas profissionais.


O tema da campanha anual deste ano na Escola das Nações é "Be a source of Hope".

Quem a inspira na pauta climática?

Por quê?


Sobre inspirações, há três mulheres. Uma delas se chama Thelma Krug, vice-presidente do IPCC, que é a principal autoridade científica das Nações Unidas. Ela é uma matemática com PhD. em Estatística e trabalhou no governo brasileiro por muito tempo, liderando a questão de florestas e desmatamento. Eu a conheci pessoalmente e pude notar que, além de influente, é uma pessoa muito humilde.


Outra pessoa que me inspira muito é a ex-ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Ela praticamente construiu a agenda do Brasil para o clima e liderou as negociações; fez o Acordo de Paris acontecer. Me inspira muito saber que existem mulheres brasileiras que estão ativas nesse processo.


A outra que eu colocaria é a CEO da última organização em que eu trabalhei. Ela é da Nigéria e foi colocada, com 26 anos , para presidir a Agenda Reguladora de Energia do país dela, sendo a mulher mais jovem a conseguir esse feito. Ela atuou no reconhecimento da energia solar como fonte potencial de grande impacto para o país.


Minhas inspirações são mulheres que conseguem, apesar de todas as barreiras para ascender profissionalmente, mudar e impactar o ambiente local delas e causar mudanças para as próximas gerações, que é o que eu tento fazer para mim, para meu país e, agora, para o mundo.


Algum conselho para nossos alunos?

Como eles podem se inserir no ativismo a favor das pautas sustentáveis?


Meu conselho para os alunos é: se vocês acham que estão fazendo muito, é pouco. As gerações que estão por vir têm uma responsabilidade cada vez maior. Não é fácil, mas eu hoje, se alcancei tudo o que eu alcancei, foi porque sempre estudei muito. Sempre fui muito dedicada e sempre me envolvi muito em atividades extracurriculares. Então, só ir pra escola é pouco. Hoje, os jovens estão, desde os 10 anos de idade, criando movimentos, startups, organizações, sabendo mais idiomas e viajando pelo mundo. Eu acho que é muito importante se jogar em uma causa em que vocês acreditam. Muita gente tem dificuldade em entender como pode ajudar, o que pode fazer: é tão simples quanto olhar ao seu redor e ver “O que eu queria que fosse melhor aqui? O transporte público? O meu prédio podia ser mais sustentável? Será que a educação no meu país não está do jeito que eu gostaria que fosse?”. Lutem por isso e comecem muito cedo. Eu acho que os jovens precisam acreditar em si, encontrar inspirações, seguir essas pessoas e fazer o máximo que podem. Eu sempre fui assim; acho que é por isso que eu fui muito longe.

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