Centenário da chegada da Fé Bahá'í ao Brasil

História marcada por devoção, serviço e coragem, impulsionada pela jovem Leonora

Armstrong, deixou legado que se desdobra no florescimento de comunidades

vibrantes ao redor do Brasil


Neste ano, os bahá’ís da América do Sul celebram o centenário da chegada de Leonora Armstrong ao Brasil. Sua importância histórica deve-se ao fato de ter sido a primeira seguidora de Bahá’u’lláh, o fundador da Fé Bahá’í, a se estabelecer no continente. Inspirada por seus interesses religiosos, ela trabalhou incansavelmente ao lado de inúmeros brasileiros e brasileiras para responder a necessidades sociais das mais diversas.


Nascida nos Estados Unidos, em 23 de junho de 1895, chegou ao nosso país, aportando no Rio de Janeiro em 1 de fevereiro de 1921, aos 25 anos de idade. Leonora foi uma figura singular, que ao se mudar desacompanhada para um continente ‘estranho’ rompeu expectativas do que uma jovem mulher, bem-educada e solteira, deveria fazer no século 20. Extremamente tímida e desprovida de autoconfiança, sua história exemplifica uma vida de coragem e total sacrifício aos demais.


Inicialmente, o que a atraiu à América do Sul foi a receptividade às ideias presentes nos Ensinamentos Bahá'ís. Teosofistas da cidade de Santos, entre eles o artista e jornalista Ângelo Guido, haviam trocado correspondências com bahá’ís nos Estados Unidos pois desejavam saber mais sobre a religião nascente. O propósito de Leonora de promulgar uma causa universalista, compartilhar uma mensagem que elabora sobre temas de igualdade de gênero, superação de preconceitos e eliminação de extremos entre riqueza e pobreza foi mais forte do que os obstáculos que se apresentaram para ela.


Começou sua vida em Salvador, alugou um edifício na Cidade Baixa e abriu uma creche onde atendia a menores abandonados. Em seu sincero desejo de ajudar os outros, proveu abrigo provisório a refugiados de guerra e, em ocasiões diversas, fez lugar em seus limitados aposentos para crianças ou mães solteiras necessitando de ajuda temporária. Apesar de professora por profissão, tornou-se conhecida entre os pobres como uma enfermeira leiga, inclusive oferecendo apoio durante um surto de cólera no Ceará. Durante toda sua vida, realizou trabalho voluntário em instituições de serviços sociais.


Além de Salvador, viveu por vários anos no Rio de Janeiro e passou os últimos dez anos de sua vida em Juiz de Fora, Minas Gerais. Viajou durante 60 anos por todo o Brasil, sempre de ônibus comum. De Porto Alegre a Manaus e Belém, de Belo Horizonte a Salvador, e de lá a todas as capitais do Nordeste.


Para se sustentar, Leonora aceitou muitos tipos de serviços - dando aulas particulares de inglês, dirigindo uma pequena escola, e até mesmo trabalhando como guarda-livros na área contábil para uma oficina e agência de automóveis.


Também se destacou por seu trabalho como tradutora. Aprendeu logo o português e o espanhol, e traduziu os primeiros livros da Fé Bahá’í para esses dois idiomas, publicando várias obras na década de 30 e 40. Hoje, existem centenas de títulos sobre a Fé Bahá’í nesses idiomas, com tiragens totais de mais de cem mil exemplares, que se apoiaram nos esforços iniciais de Leonora e hoje estão distribuídos em toda a América Latina.


Ainda, foi uma defensora atuante dos direitos da mulher, sendo uma luz de inspiração para o trabalho feminino em prol da paz mundial e da educação.


Leonora só parou quando realmente não tinha mais forças físicas. Em seus últimos momentos de vida, em 1980, gravou uma mensagem com a voz fraca, mas com palavras de muita firmeza e estímulo, dirigida a 300 mulheres reunidas em Brasília para uma conferência internacional de mulheres que aconteceu em 17 de outubro, justamente o dia em que Leonora Armstrong faleceu.


Depois de sua morte, recebeu várias homenagens, inclusive de autoridades e pessoas proeminentes. Em sua memória temos hoje mais de uma dezena de escolas e creches, em particular no Amazonas, no Pará e na Bahia.


A partir de seu pioneirismo, brasileiras e brasileiros de todas as classes sociais e estilos de vida se aproximaram da Fé Bahá’í, compondo uma comunidade diversa e abrangente, representativa do nosso país. Atualmente, em todos os estados, essas pessoas dedicam-se a traduzir os ensinamentos de Bahá’u’lláh em ação, contribuindo para a construção de uma sociedade mais unida e justa, ao lado de indivíduos e organizações que compartilham desse mesmo ideal.


Texto escrito pela Assembleia Espiritual Nacional


  • Para mais informações E-mail da Secretaria de Ações com a Sociedade e Governo: sasg@bahai.org.br

  • Sites oficiais da Comunidade Bahá’í do Brasil: bahaullah.org.br; bahai.org.br

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